Os 6 meses do desastre Dilma Rousseff

Chegando ao final de junho, o clima no Brasil é de expectativa frustrada e receio pelo que virá. Os seis primeiros meses de Dilma Rousseff na presidência do Brasil foram marcados por problemas internos, caos nas grandes obras, projetos esdrúxulos, inclusive enquadrando a ex-candidata no perfil privatista  que ela tanto rechaçou.

Vamos agora fazer um apanhado do que foi o início visivelmente desastroso do governo.

  • Corte no Orçamento: anunciado no início da gestão, o corte orçamental retirou cerca de 3 bilhões da educação, atingindo também outras áreas, como o programa habitacional do governo. Os concursos públicos foram suspensos e candidatos não foram chamados a assumir postos.
  • Obras Problemáticas: O governo tem tocado grandes obras com a arrogância marcante da gestão “anterior”. Empurram a qualquer custo o crime ambiental/social da hidrelétrica de Belo Monte (Pará), além de não oferecer condições de habitação e salário aos trabalhadores na usina de Jirau (Rondônia) e do complexo portuário de Suape (Pernambuco). Falta responsabilidade social e ambiental.
  • No poder legislativo: a base do governo reelegeu José Sarney pra presidência do Senado, não impediu a aprovação na Câmara do código florestal que poderá ampliar o desmatamento e anistiar os que cometeram crimes; aprovou o novo salário mínimo, que a pesar do aumento absoluto representa uma retração do poder de compra das pessoas, além de no mesmo projeto ter aprovado a fixação do salário mínimo por decreto até 2014. Por parte do executivo, não houve mudança quanto ao uso de medidas provisórias que tratam de vários temas totalmente diferentes, flagrantemente inconstitucional.
  • Economia: aumento da inflação, decorrente da irresponsabilidade fiscal do governo Lula, tem elevado o preço dos produtos ao consumidor, como resposta o governo segue com a política de manutenção dos juros altos.
  • Privatizações: antes condenadas por Dilma no período da campanha, as privatizações parecem se tornar realidade de seu governo. Já foram anunciadas as privatizações de aeroportos que dão lucro, enquanto o governo ainda prepara uma nova tentativa de privatizar os hospitais universitários; privatização dos Correios, empresa estatal lucrativa, também está em andamento.
  • Crise interna: incapaz de conter o ímpeto dos aliados por cargos no poder executivo, o governo promove loteamento de ministérios e presidências de empresas estatais. A recente acusação de enriquecimento ilícito que derrubou o ministro Palocci inicia a crise moral, o troca-troca de ministros da pesca e das relações institucionais revela um descompasso entre as necessidades do país e a falta de estabilidade política do governo.
  • Relação com os trabalhadores e aposentados: o encolhimento do salário mínimo e as péssimas condições de trabalho já citadas representam a opção do governo em atacar os direitos trabalhistas, seguindo até uma tendência que tem ocorrido na Europa, com cortes na previdência francesa e na educação no Reino Unido. Nos gabinetes em Brasília, já se prepara mais uma reforma da previdência, na tentativa de retirar mais direitos dos aposentados já atacados pelo governo Lula. Como resposta a isso, várias categorias tem entrado em greve por todo o país.

Os seis primeiros meses do governo de Dilma apresentaram a presidenta desconhecida ao país, desnudando a farsa da campanha. A candidata contra as privatizações privatiza e revive os tempos de Erenice com o ex-ministro Palocci. Esses foram só os 6 primeiros meses, o que teremos até 2014?

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O Novo/Velho código florestal

Para a próxima terça-feira, está prevista a votação do novo código florestal. Novo? A verdade é que a regulamentação representa o que há de mais velho na política ambiental e agrícola do Brasil, estamos prestes a assistir a votação do VELHO código florestal.

Os ruralistas esperam a aprovação da pior forma possível, sem preservação de áreas das propriedades e com uma série de relativizações que tornam mais fácil o trabalho dos grandes latifundiários do nosso país. A dificuldade de um acordo em torno do texto revela que o projeto mexe com a intenção dos poderosos donos de terra, que pasmem, mandam na política brasileira como se estivéssemos em pleno regime “café com leite”.

Aumentar a produção já não é mais uma questão de terra, mais de tecnologia. O nível de desenvolvimento do nosso país já é suficiente para que a produção cresça, mais é preciso ampliar o uso de máquinas e deixar de vez o complexo de “país subdesenvolvido exportador de produtos primários” e impor um novo modelo perante a globalização.

Enquanto o Brasil continuar acreditando que aumentar a produção implica na destruição das florestas, no ataque as áreas de preservação e no avanço da fronteira agrícola para a Amazônia pra plantar soja e criação de gado extensiva, estaremos sentenciados ao fracasso econômico, social e ambiental.

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As imbecilidades da semana, por Jair Bolsonaro e Marco Feliciano…

Não foi sem pensar que Lima Barreto qualificou a Câmara dos Deputados como “Câmara dos vulgares”. Tardou para termos a comprovação da vulgaridade de nossos não tão estimados representantes, que quando abrem a boca demonstram tanta incapacidade de discernimento quanto os que eles elegeram. Vamos aqui tratar das imbecilidades que os deputados Jair Bolsonaro (PP-RJ) e Marco Feliciano (PSC-SP) dispararam contra o povo brasileiro.

Se não pelas obras, Bolsonaro já é conhecido pelo seu destempero agressivo e medíocre, típico de alguém que por manchetes boas ou ruins assegurar o seu espaço na mídia. Tendo conquistado esse espaço, o deputado, em entrevista ao CQC, diante de um questionamento sobre o que faria se seu filho se apaixonasse por uma negra, ele responde “não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja”. O deputado ainda qualificou o homosexualismo como “mau costume”, provocando a reação de deputados e de parte da população.

 

Já Marco Feliciano, cuja falta de educação assusta para um “líder religioso”, afirmou que o continente africano é amaldiçoado. ”Sobre o continente africano repousa a maldição do paganismo, ocultismo, misérias, doenças oriundas de lá: ebola, aids. Fome… Etc”, disse ele. As declarações geraram muitos comentários e não demorou para o pastor ser transformado em piada no Twitter com a tag #MarcoFelicianoFacts. As palavras do pastor também foram motivo de vergonha pra muitos da comunidade cristã. E para não perder o costume, o deputado disse que os gays tem “podridão de sentimento” que os “levam ao ódio, ao crime e a rejeição”.

Twitter do deputado Marco Feliciano

Os pensamentos desses deputados já são suficientes para envergonhá-los, o que o povo espera é punição severa. Continuará esperando, a imunidade parlamentar nesse país já virou impunidade. Só volto a dar “audiência” aos imbecis da semana pra comemorar as suas improváveis cassações.

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José Alencar venceu.

Dizem que a única certeza que o homem tem é a morte, mas um brasileiro desdisse o ditado. “Não tenho medo da morte, porque não sei o que é a morte”, disse o agora eterno José Alencar, que sabia o que era vida, e vivia.

A carreira política foi de simplicidade e trabalho, marcas do comportamento de um político longe dos destemperos e incoerências comuns aos da classe, defendendo com clareza suas posições.

A firmeza de suas palavras não era de direita contra esquerda, de situação contra oposição, mas do que é certo contra o que é errado. Quando isso acontece, o político perde as cores do partido, ganha as cores do país.

A luta de Alencar derrotou a morte pela última vez, a fé eternizou a sua vida, “a vida eterna aos que com perseverança fazem bem, procuram glória, honra e incorrupção”. (Romanos 2:7).

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Ficha limpa só em 2012

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu ontem, por maioria de votos dos seus ministros que a lei da ficha limpa só será valida a partir das eleições de 2012. Segundo o relator do processo, ministro Gilmar Mendes, a Constituição impede que um lei que ocasione mudanças no processo eleitoral entre em vigor antes do prazo de 1 ano de sua validação.

Com a decisão, as portas do Congresso Nacional estão novamente abertas para os candidatos barrados pela lei em 2010, como Jader Barbalho (PMDB-PA), Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), João Capiberibe (PSB-AP) entre outros.

Como consequencia do resultado no STF, alguns parlamentares perderão o mandato, é o caso da Senadora Marinor Brito (PSOL-PA), que foi a tribuna e criticou severamente a decisão e lembrou que o projeto partiu da vontade do povo de ver varridos os políticos corruptos do congresso. No discurso, a Senadora citou com exemplos dessa corrupção Paulo Maluf, Jader Barbalho e Joaquim Roriz.

 

Seria conspiração lembrar que a decisão desempatada pelo ministro Luiz Fux aumentará a bancada PMDBista, de um partido que gerou um certo tumulto no período de transição e nas primeiras semanas, na briga por cargos do governo Dilma, e que essa, por sua vez, foi rápida em anunciar o ministro Fux para o STF? Talvez seja, do contrário, estamos observando uma das maiores e mais sujas viradas de mesa da história de nossa “democracia consolidada”.

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Crônica: política e políticos da Bruzundanga

Crônica produzida a partir do livro “Os Bruzundangas”, de Lima Barreto. O livro relata as peculiaridades de um país imaginário (Bruzundanga), mas na verdade faz duras críticas as mazelas do Brasil.

Link para o livro: http://www.aprendebrasil.com.br/classicos/obras/Os_bruzundangas.pdf

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Política é tema de interesse nacional na Bruzundanga desde tempos remotos, sempre levantado em conversas informais, debates acalorados e frustradas tentativas de proselitistas incansáveis na defesa de suas cores. Os bruzundanguenses discutem com firmeza, por horas, soluções e salvadores para a pátria que espera, desde os tempos de maior pesar, a queda dos céus de um Deus pra assumir o poder absoluto e monárquico, lá ainda muito apreciado.

Porquanto, o chefe maior do estado continua a ser o Manda-Chuva, que a despeito de mudanças de gênero, em número e grau nada tem acrescentado. Substituto legitimado dos reis, cabe a ele(a) demonstrar a imponência do Estado perante outras nações, ainda que seja pra revelar que essa imponência absolutamente não exista.

As peculiaridades maiores das instituições políticas locais estão no poder legislativo, dividido nas Câmara dos vulgares e dos doutores, que diferem pela cor do chão e pelo tempo de vida e “serviço à nação”. Houve curiosa contestação nacional quando um deputado supostamente analfabeto esteve inscrito na comissão educacional de uma das casas, no entanto, não houve contestação pelos 100% de deputados corruptos na comissão de ética. Agora, o legislativo planeja uma ampla e complexa reforma política, capaz de satisfazer os anseios da imprensa (a população não tem anseios) e manter seus privilégios. Para tanto já foram convocados os grandes legisladores do país, ex-Manda Chuvas, pessoas experientes e capazes de mudar tudo sem mudar nada.

O poder judiciário também tem curiosidades a revelar sobre política nacional (perdão Montesquieu, mas estamos na Bruzundanga). Na Justiça reside uma grande contradição, pois o poder executivo escolhe os juízes da maior corte nacional. Uma vez escolhidos, o legislativo aprova, para aí sim ele fazer parte do poder judiciário. Nesse caminho, há tempo para converter o juiz a defender outros interesses, para além constituição. Claro que isso não afeta em nada a alegria da população, afinal de contas, debates ideológicos e político-arqueológicos são bem mais animados que chatas interpretações da carta constitucional.

Pelos expostos, atrevo-me a dizer que política, notadamente corrupta, é paixão nacional, visto que diferenciar os conservadores da política de cruzeirenses e os da falsa esquerda totalitária de flamenguistas exigiria mais que apenas observar as cores, a paixão e o modo como se anestesia a população nos momentos festivos.

Nosso estimado viajante Lima Barreto nos descreve política e eleições separadamente, mas esta astuta divisão já não será mais necessária, como o povo apenas vive a política em tempo eleitoral, salvemos aqui as árvores que com esse capítulo seriam ceifadas.

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A Reforma Política

Ontem (22/02), o Senado instalou a comissão da reforma política, composta por 15 senadores. Estavam presentes, além dos senadores, o vice-presidente Michel Temer, o presidente da Câmara dos Deputados, deputado Marco Maia (PT/RS), o ministro do STF Dias Toffoli, além do Ministro da Justiça José Eduardo Cardozo.

Certamente o Brasil espera por uma reforma política, frente ao desgaste das instituições e da corrupção que se acomodou nos 3 poderes. A disponibilidade tanto do Senado quanto da Câmara (que também instalará comissão) é novidade em Brasília, onde o tema costumava ser abafado depois do período eleitoral.

Estão na pauta da comissão pontos como o financiamento público de campanhas, o voto em lista fechada, coligações, fidelidade partidária, voto facultativo, reeleição e duração de mandatos, entre outros.

De certo, a reforma nos faz pensar em melhorias positivas, mas é preciso estar atento, na comissão temos nomes contestáveis, como o do ex-presidente Collor. A discussão sobre as mudanças políticas estará sendo conduzida por representantes da velha política, das velhas ideias ( http://protestopolitico.wordpress.com/2010/09/16/nova-politica-sem-novos-politicos/ ).

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